quinta-feira, 13 de março de 2014

O Dízimo

  • Quando leio a Bíblia, entendo que o dízimo não é um mandamento de Deus, mas apenas um costume que Moisés incorporou as várias de suas leis civis. Tornou-se então uma lei civil e não moral. Pra ficar claro, o dízimo era UMA LEI CIVIL e não moral. A lei civil difere da lei moral, porque a primeira é circunstancial e contextual. Por exemplo: a lei de não comer carne de porco era proibida por que a carne de porco mal tratada, provoca doenças. E como os judeus viviam no deserto sem rede de saneamento básico, Deus tinha que arranjar um jeito de evitar problemas de saúde. Hoje ninguém mais vive no deserto, então tal lei não é mais necessária. Quando Abraão deu o dízimo para Melquisedeque não existia lei ordenando que ninguém desse o dízimo.
  • Moisés só veio a existir séculos depois e foi ele quem incorporou o Dízimo ao seu código de lei civil. Os dez Mandamentos, com exceção do sábado, refletem o caráter de Deus. Não matar, não roubar, etc., é o que Deus não faz. Portanto, qualquer um que lê a Torá, percebe que os mandamentos de Deus refletem o que ele é. Por isso é impossível dizer que dar o dízimo e não comer carne de porco seja algo que faça parte caráter de Deus, porém a gratidão faz. Quem é grato sempre dá algo. E o que é esse algo? Um sentimento.
  • Às vezes exteriorizado e às vezes não. Deus não come carne! Quando Deus se refere a dízimo na bíblia... "honra o SENHOR com as primícias...", "Trazei todos os dízimos a casa do tesouro...". Ele estava dizendo que se os judeus fizessem o que Abraão fez, seriam abençoados. E o que Abrão fez? Ele foi grato! Ele foi grato a Deus pelo livramento que lhe concedeu.
  • Dízimo simbolizava a gratidão. É a gratidão exteriorizada. Abrão, para com Deus foi através do dízimo, Abel usou um animal e Caim usou frutas. E hoje? A Bíblia revela: “Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o Seu nome.” (Hebreus 13.15). Não importa se você dá ou não dinheiro. O importante da lição é a gratidão. Se você é grato e não dá nada você será abençoado. Se você é grato e dá também será abençoado.
  • Deus olha o sentimento de gratidão que há em nós por tudo que ele tem feito e não o fato de dar em si. Gratidão é a essência do dízimo. Todos os mandamentos de Deus tem uma essência embutida. Não é o dar que nos faz prósperos...
  • Melquisedeque era uma tipificação de Cristo.  Por isso a bíblia diz que Jesus era segundo a ordem de Melquisedeque (Salmos 110:4). Ele prefigurava Jesus. O apostolo Paulo fala que as coisas do velho testamento eram prefigurações do que viria no futuro... "Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo" (Colossenses 2:17).
  • Ou seja, todo acontecimento material no velho testamento se se tornou espiritual no novo. Quando Abraão deu o dizimo para Melquideseque, que simbolizava Jesus, ele estava, sem saber, anunciando o futuro onde nós igreja, iríamos exteriorizar nossa gratidão através do sacrifício de louvor a Deus pelo que ele iria fazer por nós em Cristo.
  • A forma de gratidão através do dízimo acabou. Foi abolida... Era uma lei para os judeus que viviam debaixo de um sacerdócio carnal e por que havia uma tribo (Levi) e sacerdotes para serem cuidados. Hoje, por meio de cristo, cada um é Rei e Sacerdote (1 Pedro 2.9). Cada um é um templo e não há mais tribo pra ser sustentada e nem rituais e cerimônias para serem mantidas. Se hoje há rituais embasados e liturgia é porque nós quem escolhemos isso e não Deus. Por esse motivo já não é questão de lei e sim de ética. Se você usufrui você tem que ajudar. Cristo é o mediador de uma nova lei e de uma nova forma de relacionamento...
  • “Pois, quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também mudança de lei” (Hebreus 7:14).
  • “Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas” (Hebreus 8:6).
  • Amem.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Deus criou o mal?


Deus criou o mal?
Em Isaías 45:7, Deus diz: "Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas." Aceitamos como verdade inegável esta afirmação de Deus. Agora, como devemos entendê-la?
Algumas pessoas têm usado este versículo para definir o caráter de Deus como um ser mal, até sugerindo que o Deus do Velho Testamento é malevolente e vingativo em contraste com Jesus, o bom e benevolente Deus do Novo Testamento. Tais conclusões contradizem as claras afirmações do Velho Testamento ("Bom e reto é o Senhor, por isso, aponta o caminho aos pecadores"-Salmo 25:8) e do Novo Testamento ("Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras. Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em mim"- João 14:10-11).
Outros usam o mesmo versículo (Isaías 45:7) para dizer que Deus é um ser "equilibrado" que é tanto bom como mau. Tal idéia é representada em símbolos de falsas religiões, como o "yin-yang". Mas, o Deus verdadeiro não é um conjunto de forças opostas. Ele é perfeitamente bom, e não contém nada de maldade. "Deus é luz, e não há nele treva nenhuma" (1 João 1:5).
Ainda outros têm exagerado o conceito da soberania de Deus até o ponto de negar o livre arbítrio do homem. Segundo alguns sistemas de teologia, Deus decreta tudo, e o homem é impotente para resistir a vontade do Senhor. Pessoas com estas idéias afirmam que Deus predestinou cada pessoa para a salvação ou condenação, e que Jesus morreu somente para salvar as pessoas eleitas pelo capricho de Deus. Tais doutrinas são falsas. Deus chama todos ao arrependimento (Atos 17:30) porque ele não quer que ninguém pereça (2 Pedro 3:9). Jesus provou a morte por todo homem (Hebreus 2:9). Ele mandou que os apóstolos pregassem a toda criatura, e prometeu a salvação àqueles que cressem e fossem batizados (Marcos 16:15-16).
E Isaías 45:7. O que Deus fez? Outras passagens nos ajudam. Deus não criou o mal no sentido moral. "Pois tu não és Deus que se agrade com a iniqüidade, e contigo não subsiste o mal" (Salmo 5:4-5). Deus não tenta ninguém, pois ele é a fonte de "toda boa dádiva e todo dom perfeito" (Tiago 1:13-17).
A palavra "mal" em Isaías 45:7 vem de uma palavra original que pode ter vários sentidos. Neste contexto e em outros onde Deus faz ou traz o mal, a palavra significa "calamidade" ou "punição". É o oposto de paz. Deus usaria Ciro para "abater as nações" (45:1). Em 45:8, Deus promete salvação (paz) e justiça (punição ou mal). Outros trechos usam a mesma linguagem. Os males que Deus ameaçou trazer em 2 Reis 22:16 foram punições e calamidades (veja Josué 23:15, onde aparece a mesma palavra no original).
Deus criou o mal? Sim, no sentido que um Deus justo e santo se afasta do pecador e o castiga por sua iniqüidade. Mas Deus jamais criou o pecado, e não tenta ninguém.
-por Dennis Allan

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Lúcifer é Satanás???

P.: Isaías 14,12 menciona o nome de “Lúcifer”. Eu ouvi dizer que este é Satanás. Lúcifer e Satanás são a mesma coisa?



 
R. : É triste mas, de vez em quando, estudantes da Bíblia atribuem a Palavra de Deus, fatos e conceitos que nem ensina e nem defende. Estas crenças imprudentes abrange uma ampla gama – indo desde de interpretações inofensivas a falsas doutrinas potencialmente perigosas.
Embora haja inúmeros exemplos dessas categorias que poderiam ser listadas, talvez um dos equívocos mais populares entre os leitores da Bíblia é que Satanás também é designado como “Lúcifer” dentro de suas páginas. Qual é a origem do nome de Lúcifer, qual é o seu significado e será que é sinônimo de “Satanás”? Aqui estão os fatos.
A palavra “Lúcifer” é usada na King James Version (versão do Rei Tiago inglesa, ou a Almeida Corrigida e Fiel, em português) apenas uma vez, em Isaías 14,12: “Como caíste do céu, ó Lúcifer, filho da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!” Por exemplo, a tradução de Antônio Pereira de Figueiredo verte Isaías 14,12: “Como caíste do céu, ó Lúcifer, tu que ao ponto do dia parecias tão brilhante?”
A palavra hebraica traduzida como “Lúcifer” é helel (ou heylel), da partir da raiz, Halal, Que significa “brilhar” ou “ter luz”. Keil e Delitzsch observaram que “este termo deriva seu nome de outros idiomas antigos também por causa de seu brilho impressionante, e é aqui chamado ben-shachar (Filho da alva)”… (1982, 7:311). No entanto, os tradutores da KJV não traduziram helel como Lúcifer por causa de algo inerente ao termo hebraico em si. Em vez disso, tomaram emprestado o nome da tradução da Bíblia de S. Jerônimo (383-405 d.C.) conhecida como o Vulgata Latina. Jerônimo, provavelmente acreditando que o termo estava descrevendo o planeta Vênus, empregou o termo latino “Lucifer” (“portador da luz”) para designar “a estrela da manhã” (Vênus). Só mais tarde originou-se a sugestão de que Isaías 14,12 ss. estava falando do diabo. Depois, o nome Lúcifer passou a ser sinônimo de Satanás. Mas é Satanás é “Lucifer”?
Não, não é. O contexto no qual o versículo 12 se encaixa começa no versículo 4, onde Deus disse a Isaías para “tomar esta parábola contra o rei da Babilônia, e dizer: ‘Como cessou o opressor! a cidade dourada deixou!” Em seu comentário sobre Isaías, Albert Barnes explicou que a ira de Deus acendeu-se contra o rei, pois o governante “não pretendia reconhecer qualquer superior, quer no céu ou na terra, mas decretou a si mesmo e suas leis deviam ser consideradas como supremas” (1950, 1:272). O orgulho no peito de tirar o fôlego do potentado impudente foi:
Eu subirei ao céu, eu exaltarei o meu trono acima das estrelas de Deus, e vou sentar-se sobre o monte da reunião, nas extremidades do norte; Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo (vs. 13-14).
Como resultado de seu auto-endeusamento egoísta, o monarca pagão, posteriormente, iria experimentar tanto o colapso do seu reino como a perda de sua vida, um fim ignominioso que é descrito em termos vívidos e poderosos. “Todavia, no Seol serás precipitado, nas partes mais remotas do poço”, o profeta proclamou ao outrora poderoso rei. E quando o governador finalmente desce ao túmulo eterno, cativos do reino oculto o ameaçam, dizendo: “É este o homem que fazia estremecer a terra, e que fazia tremer os reinos?” (v. 16). Ele é denominado como um “homem” (v. 16), que morreria em descrédito e cujo corpo seria enterrado, e não em um sarcófago do rei, mas em covas reservadas para as massas oprimidas (vs. 19-20). Vermes iriam comer o seu corpo, e ouriços iriam varrer seu túmulo (vs. 11,23).
Foi neste contexto que Isaías se refere ao rei da Babilônia como “estrela da manhã” (“filho da manhã”, “filho da alva”) para descrever o outrora brilhante-mas-agora-esmaecido, uma vez elevado -mas-agora-diminuído ex-governante. Em seu Comentário Bíblico, EM Zerr observou que tais frases eram “… usadas figurativamente neste versículo para simbolizar a dignidade e o esplendor do monarca babilônio. Sua derrubada completa foi comparada com a queda da estrela da manhã” (1954, 3:265). Este tipo de fraseologia não deve ser surpreendente, já que “no AT., o fim de poderes nacionais corruptos é frequentemente retratado sob a imagem da queda dos luminares celestes” (cf. Isaías 13,10;.. Ez 32,7), portanto, muito apropriadamente, neste contexto, o monarca babilônio é descrito como uma estrela cadente [cf. ASV] “(Jackson, 1987, 23:15).
Em nenhum lugar dentro do contexto de Is 14, no entanto, Satã é descrito como Lúcifer. Na verdade, o oposto é verdadeiro. Em seu comentário sobre Isaías, Burton Coffman escreveu: “Estamos satisfeitos que a nossa versão (ASV) deixa a palavra Lúcifer fora desta versão, porque … Satanás não entra esta passagem como um sujeito”(1990, p. 141). O governante babilônico ia morrer e ser enterrado – um destino que nem está direcionado a Satanás. O rei foi chamado de “um homem”, cujo corpo era para ser comido pelos vermes, mas Satanás, como um espírito, não tem corpo físico. O monarca viveu e governou uma “cidade dourada” (v. 4), mas Satanás é o monarca de um reino de escuridão espiritual (cf. Efésios 6,12). E assim por diante.
O contexto apresentado em Isaías 14,4-16, não só não retrata Satanás como Lúcifer mas, na verdade, milita contra isso. Keil e Delitzsch proclamou firmemente que “Lúcifer”, como um sinônimo, “é um termo perfeitamente adequado para o rei de Babel, por conta da data de início da cultura babilônica, que chegou tão longe quanto a penumbra cinzenta de tempos primitivos, e também por causa de seu caráter astrológico predominante” (1982, p. 312). Eles, então, concluem corretamente que “Lúcifer, como um nome dado ao diabo, foi obtido a partir desta passagem … sem qualquer mandado de qualquer outra coisa, como relacionado com a apostasia e punição dos líderes angelicais” (pp. 312-313).

Referências

Barnes, Albert (edição de 1950), Barnes ‘Notas sobre o Antigo e o Novo Testamento, Isaías (Grand Rapids, MI: Baker).
Coffman, James Burton (1990), Os Profetas Maiores: Isaías- (Abilene, TX: ACU Press).
Jackson, Wayne (1987), “Sua pergunta e minha resposta” Christian Courier, 23:15, em agosto.
Keil, CF e Franz Delitzsch, (edição de 1982), Comentário sobre o Antigo Testamento, Isaías (Grand Rapids, MI: Eerdmans).
Zerr, E. M. (1954), Comentário Bíblico (Bowling Green, KY: Guardian of Truth Publications).
Fonte: https://www.apologeticspress.org/apcontent.aspx?category=11&article=1091
Tradução: Emerson de Oliveira

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Afinal, o que está errado com a teologia da prosperidade?



Apesar de até o presente só ter melhorado a vida dos seus pregadores e fracassado em fazer o mesmo com a vida dos seus seguidores, a teologia da prosperidade continua a influenciar as igrejas evangélicas no Brasil.

Uma das razões pela qual os evangélicos têm dificuldade em perceber o que está errado com a teologia da prosperidade é que ela é diferente das heresias clássicas, aquelas defendidas pelos mórmons e "testemunhas de Jeová" sobre a pessoa de Cristo, por exemplo. A teologia da prosperidade é um tipo diferente de erro teológico. Ela não nega diretamente nenhuma das verdades fundamentais do Cristianismo. A questão é de ênfase. O problema não é o que a teologia da prosperidade diz, e sim o que ela não diz.

  • Ela está certa quando diz que Deus tem prazer em abençoar seus filhos com bênçãos materiais, mas erra quando deixa de dizer que qualquer bênção vinda de Deus é graça e não um direito que nós temos e que podemos revindicar ou exigir dele. 
  • Ela acerta quando diz que podemos pedir a Deus bênçãos materiais, mas erra quando deixa de dizer que Deus tem o direito de negá-las quando achar por bem, sem que isto seja por falta de fé ou fidelidade de nossa parte.
  • Ela acerta quando diz que devemos sempre declarar e confessar de maneira positiva que Deus é bom, justo e poderoso para nos dar tudo o que precisamos, mas erra quando deixa de dizer que estas declarações positivas não têm poder algum em si mesmas para fazer com que Deus nos abençoe materialmente.
  • Ela acerta quando diz que devemos dar o dízimo e ofertas, mas erra quando deixa de dizer que isto não obriga Deus a pagá-los de volta.
  • Ela acerta quando diz que Deus faz milagres e multiplica o azeite da viúva, mas erra quando deixa de dizer que nem sempre Deus está disposto, em sua sabedoria insondável, a fazer milagres para atender nossas necessidades, e que na maioria das vezes ele quer nos abençoar materialmente através do nosso trabalho duro, honesto e constante.
  • Ela acerta quando identifica os poderes malignos e demônicos por detrás da opressão humana, mas erra quando deixa de identificar outros fatores como a corrupção, a desonestidade, a ganância, a mentira e a injustiça, os quais se combatem, não com expulsão de demônios, mas com ações concretas no âmbito social, político e econômico.
  • Ela acerta quando diz que Deus costuma recompensar a fidelidade mas erra quando deixa de dizer que por vezes Deus permite que os fiéis sofram muito aqui neste mundo. 
  • Ela está certa quando diz que podemos pedir e orar e buscar prosperidade, mas erra quando deixa de dizer que um não de Deus a estas orações não significa que Ele está irado conosco. 
  • Ela acerta quando cita textos da Bíblia que ensinam que Deus recompensa com bênçãos materiais aqueles que o amam, mas erra quando deixa de mostrar aquelas outras passagens que registram o sofrimento, pobreza, dor, prisão e angústia dos servos fiéis de Deus.
  • Ela acerta quando destaca a importância e o poder da fé, mas erra quando deixa de dizer que o critério final para as respostas positivas de oração não é a fé do homem mas a vontade soberana de Deus.
  • Ela acerta quando nos encoraja a buscar uma vida melhor, mas erra quando deixa de dizer que a pobreza não é sinal de infidelidade e nem a riqueza é sinal de aprovação da parte de Deus. 
  • Ela acerta quando nos encoraja a buscar a Deus, mas erra quando induz os crentes a buscá-lo em primeiro lugar por aquelas coisas que a Bíblia constantemente considera como secundárias, passageiras e provisórias, como bens materiais e saúde. 
A teologia da prosperidade, à semelhança da teologia da libertação e do movimento de batalha espiritual, identifica um ponto biblicamente correto, abstrai-o do contexto maior das Escrituras e o utiliza como lente para reler toda a revelação, excluindo todas aquelas passagens que não se encaixam. Ao final, o que temos é uma religião tão diferente do Cristianismo bíblico que dificilmente poderia ser considerada como tal. Estou com saudades da época em que falso mestre era aquele que batia no portão da nossa casa para oferecer um exemplar do livro de Mórmon ou da Torre de Vigia...

Texto pubicado por 
http://tempora-mores.blogspot.com.br/2012/06/afinal-o-que-esta-errado-com-teologia.html

sábado, 8 de setembro de 2012

Como saber se você é um Verdadeiro Cristão by Jonathan Edwards





"Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o creem, e estremecem". Tiago 2:19 

Como você sabe se pertence a Deus? 
Nós vemos nestas palavras no que algumas pessoas confiam como sendo uma evidência de sua aceitação diante de Deus. Algumas pessoas pensam que elas estarão certas diante de Deus se não forem tão más como algumas pessoas ímpias. Há um sistema evangelístico em uso comum que pergunta às pessoas certas questões. 

Uma das questões é: "Suponha que tu morras hoje. Por que Deus deveria deixar-te entrar no Seu céu?" Uma resposta muito comum é: "Eu creio em Deus". Aparentemente o apóstolo Tiago conhecia pessoas que diziam a mesma coisa: Eu sei que estou no favor de Deus, porque eu conheço estas doutrinas religiosas. 
Certamente Tiago admite que este conhecimento é bom. Não somente é bom, mas é também necessário. Ninguém que não acredite em Deus, pode ser um Cristão; e mais do que isto, no Único e Verdadeiro Deus. Isto é particularmente verdadeiro para aqueles que tiveram a grande vantagem de realmente conhecer o apóstolo, alguém que poderia lhes dizer em primeira mão de sua experiência com Jesus, o Filho de Deus. Imagine o grande pecado de uma pessoa, que conheceu Tiago, e depois recusou crer em Deus! Certamente isto faria sua condenação maior. Certamente, todos Cristãos sabem que esta crença no Único Deus é somente uma parte das boas coisas "porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, e que é galardoador dos que O buscam". (Hebreus 11:6) 
Todavia, Tiago é claro que embora esta crença seja uma boa coisa, definitivamente ela não é prova de que uma pessoa é salva. O que ele pretende dizer é isto: "Você diz que é um Cristão e que está no favor de Deus. Você pensa que Deus permitirá que você entre no céu, e a prova  disto é: você crê em Deus. Mas, isto não á uma evidência de maneira nenhuma, porque os demônios também crêem, e eles estão certos de que serão punidos no inferno". Os demônios crêem em Deus, podem estar certos disto! Eles não somente crêem que Ele existe, mas eles crêem que Deus é um santo Deus, um Deus que odeia o pecado, um Deus de verdade, que prometeu julgamentos, e que cumprirá Sua vingança sobre eles. Esta é a razão dos demônios "estremecerem" ou tremerem - eles conhecem Deus mais claramente que a maioria dos seres humanos, e eles estão amedrontados. Todavia, nada na mente do homem, que os demônios possam experimentar também, é sinal de que a graça de Deus esteja em nossos corações. Este raciocínio pode facilmente ser girado ao redor. Supor que os demônios tenham, ou encontrem dentro de si mesmos, algo da graça salvadora de Deus, não prova que eles irão para o céu. Isto provaria um erro de Tiago. Mas, quão absurdo! A Bíblia deixa claro que os demônios não têm esperança de salvação, e que sua crença em Deus não tira sua futura punição. Portanto, crer em Deus não é prova de salvação para os demônios, e pode-se dizer com segurança que tampouco para os seres humanos. 

Os Demônios têm um Conhecimento de Deus. 
Isto é visto mais claramente quando pensamos sobre o que os demônios são de fato. Eles não são santos: qualquer coisa que eles experimentem, não pode ser uma santa experiência. O diabo é perfeitamente mau. "Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de
vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira". (João 8:44) "Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo". (1 João 3:8). Portanto, os demônios são chamados espíritos maus, espíritos impuros, poderes das trevas, e assim por diante. "Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais". (Efésios 6:12)
Assim, é óbvio que qualquer coisa nas mentes de demônios não podem ser santas, ou conduzir à verdadeira santidade por si mesma. Os demônios claramente sabem muitas coisas sobre Deus e religião, mas eles não possuem um santo conhecimento. As coisas que eles conhecem em suas mentes podem fazer impressões em seus corações - realmente, veremos que os demônios possuem sentimentos muito fortes sobre Deus; tão forte, na realidade, que eles "estremecem". Mas, eles não possuem sentimentos santos porque eles não têm nada a ver com a obra do Espírito Santo. Se esta é a verdade sobre a experiência dos demônios, isto 
é também verdadeiro sobre a experiência dos homens. 
Note isto, que não importa quão genuínos, sinceros, e poderosos estes pensamentos e sentimentos são. Os demônios, sendo criaturas espirituais, conhecem Deus em um caminho que os homens na terra não podem. O conhecimento deles sobre a existência de Deus é mais concreto do que o conhecimento de qualquer homem possa ser. Porque eles estão presos na batalha com as forças do bem, eles possuem uma sinceridade de conhecimento também. Em uma ocasião, Jesus expulsou alguns demônios. "Que temos nós contigo, Jesus, Filho de Deus?", eles clamaram, "Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?" (Mateus 8:29). 
Que experiência pode ser mais nítida do que esta? Todavia, apesar dos pensamentos e sentimentos deles serem genuínos e poderosos, eles não eram santos. Também podemos ver que os santos objetos de seus pensamentos não fazem seus pensamentos e sentimentos serem santos. Os demônios sabem que Deus existe! Mateus 8:29 mostra que eles sabem mais sobre Jesus do que muitas pessoas! Eles sabem perfeitamente que Jesus julgara-los algum dia, porque Ele é santo. Mas é claro, que pensamentos e sentimentos genuínos, sinceros e poderosos sobre coisas santas e espirituais, não são prova da graça de Deus no coração. Os demônios têm estas coisas, e enxergam adiante a punição eterna no inferno. Se os homens não têm mais do que os demônios têm, eles sofrerão do mesmo modo. 
Só o conhecimento de Deus não é prova de salvação. 
Nós podemos fazer diversas conclusões baseadas nestas verdades. Primeiramente que, não importa quanto as pessoas possam saber sobre Deus e a Bíblia, isto não é um sinal certo de salvação. O diabo antes de sua queda, era uma das mais brilhantes estrelas da manhã, uma labareda de fogo, um que excedia em força e sabedoria. (Isaías 14:12, Ezequiel 28:12-19). 
Aparentemente, como um dos principais anjos, Satanás conhecia muito sobre Deus. Agora que ele está caído, seu pecado não tem destruído suas memórias de antes. O pecado destrói a natureza espiritual, mas não as habilidades naturais, tais como a memória. Que os anjos caídos têm muitas habilidades naturais pode ser visto em muitos versos da Bíblia, por  exemplo, Efésios 6:12. "Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais". No mesmo modo, a Bíblia diz que Satanás é "mais astuto" do que os outros seres criados. (Gênesis 3:1, também 2 Coríntios 11:3, Atos 13:10) Portanto, podemos ver que o Diabo sempre teve grandes habilidades mentais e que é capaz de conhecer muito sobre Deus, sobre o mundo visível e invisível, e sobre muitas outras coisas. Visto que sua ocupação no princípio era ser um anjo principal diante de Deus, é somente natural que compreender estas coisas sempre tenha sido de primeira importância para ele, e que todas suas atividades tenham a ver com estas áreas de pensamentos, sentimentos e conhecimento. Porque era sua ocupação original ser um dos anjos diante da própria face de Deus e porque o pecado não destrói a memória, é claro que Satanás conhece muito mais sobre Deus do que qualquer outro ser criado. Depois da queda, podemos ver de suas atividades como a tentação, etc., (Mateus 4:3) que ele tem gastado seu tempo para aumentar seu conhecimento e suas aplicações práticas. Que o seu conhecimento é grande pode ser visto em quão enganador ele é quando tenta as pessoas. A astúcia de suas mentiras mostra quão sagaz ele é. Certamente não poderia manejar tão bem suas ludribriações sem um conhecimento real e verdadeiro dos fatos. 
Este conhecimento de Deus e de Suas obras é desde o princípio. Satanás existia desde a Criação, como Jó 38:4-7 mostra: "Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência...Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?" Assim, ele deve conhecer muito sobre a maneira como Deus criou o mundo, e como Ele governa todos os eventos do universo. Além do mais, Satanás viu como Deus desenvolveu Seu plano de redenção no mundo; e não como um inocente espectador, mas como um inimigo ativo da graça de Deus. Ele viu Deus trabalhar nas vidas de Adão e Eva, em Noé, Abraão, e Davi. Ele deve ter tomando um especial interesse na vida de Jesus Cristo, o Salvador dos homens, a Palavra de Deus encarnada. Quão próximo prestou atenção a Cristo? Quão cuidadosamente ele observou Seus milagres e ouviu Suas palavras? Isto é o porque Satanás se pôs contra a obra de Cristo, e foi para o seu tormento e angústia que Satanás assistiu a obra de Cristo desvelada com sucesso. Satanás, então, conhece muito sobre Deus e sobre a obra de Deus. Ele conhece o céu em primeira mão. Ele conhece o inferno também, com conhecimento pessoal como sua principal residência, e tem experimentado seus tormentos por todos estes milhares de anos. Ele deve ter um grande conhecimento da Bíblia: pelo menos, podemos ver que ele conhecia o suficiente para ver se conseguia tentar nosso Salvador. Além do mais, ele tem tido anos de estudo dos corações dos homens, seus campo de batalha onde ele luta contra nosso Redentor. Quanto labores, esforços, e cuidados o Diabo usou através dos séculos a medida que ludibriava os homens. Somente um ser com seu conhecimento e experiência sobre a obra de Deus, e sobre o coração do homem, portanto, poderia imitar a verdadeira religião e transformar-se em um anjo de luz. (2 Coríntios 11:14). 
Portanto, podemos ver que não há nenhuma quantidade de conhecimento sobre Deus e religião que poderia provar que uma pessoa tem sido salva de seu pecado. Um homem pode falar sobre a Bíblia, Deus, e a Trindade. Ele pode ser capaz de pregar um sermão sobre Jesus Cristo e tudo que Ele fez. Imaginem, alguns podem ser capazes de falar sobre o caminho da salvação e a obra do Espírito Santo nos corações dos pecadores, talvez até mesmo mostrar a outros como se tornarem Cristãos. Todas estas coisas podem edificar a igreja e iluminar o mundo, todavia, não é uma prova certa da graça de Deus no coração de uma pessoa. 
Pode também ser visto que as pessoas meramente concordarem com a Bíblia não é um sinal certo de salvação. Tiago 2:19 mostra que os demônios realmente, verdadeiramente, crêem na verdade. Da mesma forma que eles crêem que há um só Deus, eles concordam com toda a verdade da Bíblia. O diabo não é um herético: todos os artigos de sua fé estão firmemente estabelecidos na verdade. Deve ser entendido que, quando a Bíblia fala sobre crer que Jesus é o Filho de Deus, como uma prova da graça de Deus no coração, a Bíblia tenciona dizer não um mero concordar com a verdade, mas outro tipo de crença. "Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido". (1 João 5:1) Este outro tipo de conhecimento é chamado "a fé dos eleitos de Deus, e o conhecimento da verdade, que é segundo a piedade". (Tito 1:1) Há um acreditar espiritual na verdade, o 
que será explicado mais tarde. 

As Experiências Religiosas não são prova de salvação. 

Algumas pessoas têm fortes experiências religiosas, e pensam delas como uma prova da obra de Deus em seus corações. Freqüentemente, estas experiências dão às pessoas um sentimento da importância do mundo espiritual, e a realidade das coisas divinas. Contudo, elas, também, não são uma prova certa da salvação. Os demônios e os seres humanos condenados têm muitas experiências espirituais que têm um grande efeito em suas atitudes 
de coração. Freqüentemente, essas experiências dão às pessoas um sentido da importância do mundo espiritual, e da realidade das coisas divinas. Contudo, essas, também, não são uma prova seguro de salvação. Os demônios e os seres humanos condenados têm muitas experiências espirituais que causam um grande efeito nas atitudes de seus corações. Eles vivem no mundo espiritual e vêem em primeira mão como este é de fato. Os sofrimentos deles mostram-lhes o valor da salvação e o valor de uma alma humana em uma maneira mais poderosa do que se possa imaginar. A parábola em Lucas capítulo 16 ensina isto claramente, 
porque o homem sofrendo pergunta se Lázaro pode ser enviado para avisar seus irmãos, a fim de evitarem este lugar de tormento. Sem dúvidas, as pessoas no inferno têm uma idéia distinta da vastidão da eternidade, e da brevidade da vida. Eles estão completamente convencidos de que todas as coisas desta vida não são importantes quando comparadas com as experiências do mundo eterno. As pessoas que estão agora no inferno têm um grande sentido da preciosidade do tempo, e das maravilhosas oportunidades que as pessoas têm, as que possuem o privilégio de ouvir o Evangelho. Elas estão completamente conscientes da loucura do pecado, da negligência das oportunidades, e de se ignorar as advertências de Deus. Quando os pecadores descobrem por experiência pessoal o resultado final de seu pecado há "pranto e ranger de dentes" (Mateus 13:42). Assim, até mesmo as mais poderosas experiências religiosas não são um sinal seguro da graça de Deus no coração. Os demônios e as pessoas condenadas também têm um forte senso da majestade e poder de Deus. O poder de Deus é mais claramente demonstrado na execução de Sua divina vingança sobre Seus inimigos. "E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição" (Romanos 9:22). Estremecendo, os diabos aguardar a punição final deles, debaixo de um poderoso senso da majestade de Deus. Eles sentem isto agora, certamente, mas no futuro isto se mostrará em altíssimo grau, quando "se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder. Como labareda de fogo..." (2 Tessalonicenses 1:7-8) Neste dia, eles desejarão fugir, se esconder da presença de Deus. "Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele." (Apocalipse 1:7) Portanto, todos O verão na glória de Seu Pai. Porém, obviamente, nem todos que O verão, serão salvos. 

Objeção #1- As pessoas são diferentes dos demônios. 

Agora, é possível que algumas pessoas possam objetar-se à tudo isto, dizendo que os homens ímpios deste mundo são totalmente diferentes dos demônios. Eles estão sob circunstâncias diferentes e são diferentes espécies de seres. Um objetor pode dizer: "Aquelas coisas que são visível e presentes para os demônios, são invisíveis e futuras para os homens. Além disso, as pessoas têm a desvantagem de terem corpos, que restringem a alma, e impedem que as pessoas vejam estas coisas espirituais em primeira mão. Portanto, mesmo se os demônios possuem um grande conhecimento e experiência pessoal das coisas de Deus, e não têm graça, a conclusão não se aplica a mim". Ou, colocando de uma outra forma: se as pessoas possuem estas coisas nesta vida, isto pode ser muito bem um sinal seguro da graça de Deus em seus corações. Na resposta, concorda-se que nenhum homem nesta vida jamais terá o grau destas coisas como os demônios as têm. Nenhuma pessoa jamais estremecerá, com a mesma quantidade de temor que os demônios estremecem. Nenhum homem, nesta vida, pode jamais ter o mesmo tipo de conhecimento que o Diabo tem. É claro que os demônios e os homens condenados entendem a vastidão da eternidade, e a importância do outro mundo, mais do qualquer outra pessoa viva, e assim eles desejam ardentemente a salvação ainda mais. Porém, podemos ver que os homens neste mundo podem ter experiências do mesmo tipo daquelas dos demônios e pessoas condenadas. Eles têm a mesma percepção mental, as mesmas opiniões e emoções, e os mesmos tipos de impressões na mente e no coração. Note, que para o apóstolo Tiago isto é um argumento convincente. Ele argumenta que se as pessoas pensam que acreditar em um único Deus é prova da graça de Deus, ela não é prova, pois os demônios crêem no mesmo. Tiago não está se referindo ao ato de crer somente, mas também às emoções e ações que vão juntas com sua crença. Estremecer é um exemplo de 
emoções do coração. Isto mostra que as pessoas têm o mesmo tipo de percepção mental, e que reagir no coração da mesma maneira, não é sinal seguro de graça. A Bíblia não declara quantas pessoas neste mundo podem ver a glória de Deus, sem possuírem a graça de Deus nos seus corações. Não nos é informado exatamente em que grau Deus Se revela a certas pessoas, e quantas deles responderam em seus corações. É muito tentador dizer que se uma pessoa tem uma certa quantidade de experiência religiosa, ou uma certa quantidade de verdade, ela deve ser salva. Talvez, seja até possível para alguns povos não-salvos terem experiências maiores do que aqueles que possuem a graça em seus corações. Assim, é errado olhar para a experiência ou conhecimento em termos de quantidade. Os homens que possuem uma genuína obra do Espírito Santo em seus corações, têm experiências e conhecimento de um diferente tipo. 

Objeção #2- As pessoas podem ter sentimentos religiosos que os demônios não podem. 

Neste ponto, alguém pode replicar estes pensamentos dizendo: "Eu concordo com você. Eu vejo que crer em Deus, entendendo Sua majestade e santidade, e conhecendo que Jesus morreu por pecadores, não é prova da graça em meu coração. Eu creio que os demônios podem saber estas coisas também. Porém, eu tenho algumas coisas que eles não. Eu tenho alegria, paz e amor. Os demônios não podem tê-los, de forma que isto deve mostrar que sou salvo." Sim, é verdade que você tem algo a mais do que os demônios possam ter, mas isto não é nada melhor do que os demônios possam ter. Uma experiência pessoal de amor, alegria, etc., não pode ser porque eles tenham qualquer causa neles diferentes de um demônio, mas somente diferentes circunstâncias. As causas, ou origens, de seus sentimentos não são as mesmas. Esta é a razão porque estas experiências não são melhores do que aquelas dos demônios. Para explicar melhor: Todas as coisas que foram discutidas antes sobre os demônios e pessoas condenadas, surgiram de duas principais causas, entendimento natural e amor próprio. Quando eles pensam sobre eles próprios, estas suas coisas são as que determinam seus sentimentos e reações. O entendimento natural mostra-lhes que Deus é santo, enquanto que eles são ímpios. Deus é infinito, mas eles são limitados. Deus é poderoso, e eles são fracos. O amor próprio dá-lhes um senso da importância da religião, do mundo eterno, e um desejo pela salvação. Quando estas duas causas trabalham juntas, os demônios e os homens condenados conscientizam-se da terrível majestade de Deus, quem eles sabem que será seu Juiz. Eles sabem que o julgamento de Deus será perfeito e sua punição será para sempre. Portanto, estas duas causas juntas com seus sentimentos causarão sua angústia no dia do julgamento, quando eles verão a glória visível de Cristo e Seus santos. 
A razão porque muitas pessoas sentem alegria, paz e amor hoje, enquanto os demônios não, pode ser mais devido suas circunstâncias, do que qualquer diferença em seus corações. As causas em seus corações são as mesmas. Por exemplo, o Espírito Santo está agora atuando no mundo impedindo que todos da humanidade sejam tão maus como poderiam ser (2 Tessalonicenses 2:7). Isto está em contraste aos demônios, que são tão maus como eles poderiam ser o tempo todo. Além do mais, Deus em Sua misericórdia dá dons à todas 
pessoas, tal como a chuva para a colheita (Mateus 5:45), o calor do sol, etc. Não somente isto, mas freqüentemente as pessoas recebem muitas coisas na vida que lhes trazem felicidade, tais como relacionamentos pessoais, prazeres, músicas, boa saúde, e assim por diante. Mais importante de tudo, muitas pessoas ouvem as novas de esperança: Deus enviou um Salvador, Jesus Cristo, que morreu para salvar pecadores. Nestas circunstâncias, o entendimento natural das pessoas pode fazer com que sintam coisas que os demônios não podem sentir. 

O amor próprio é uma força poderosa nos corações dos homens, forte o bastante para fazer com que as pessoas, mesmo sem a graça, amem aos que os amam: "E se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam." (Lucas 6:32) É uma coisa natural para uma pessoa que vê Deus ser misericordioso, e que sabe que eles não são tão maus como poderiam ser, serem conseqüentemente seguros do amor de Deus por eles. Se seu amor por Deus vem somente de seus sentimentos de que Deus te ama, ou porque você tem ouvido que Cristo morreu por você, ou algo similar, então, a origem de seu amor por Deus é somente o amor próprio. Isto reina nos corações dos demônios também. Imagine a situação dos demônios. Eles sabem que eles são irrefreáveis em sua maldade. Eles sabem que Deus é seu maior inimigo e sempre será. Embora eles estejam sem qualquer esperança, ainda estão ativos e lutando. Pense apenas, o que aconteceria se eles tivessem algo da esperança que as pessoas têm? O que aconteceria se os demônios, com seu conhecimento de Deus, tivessem suas maldades refreadas? Imaginem se um demônio, depois de todos seus temores sob o julgamento de Deus, fosse repentinamente levado a imaginar que Deus pudesse ser sue Amigo? Que Deus poderia perdoá-lo e permiti-lo, com pecado e tudo, no céu? Oh a alegria, a maravilha, a gratidão que nós veríamos! Não seria este demônio um grande amante de Deus, visto que, apesar de tudo, todo mundo ama as pessoas que lhes ajudam? O que mais poderia causar sentimentos tão poderosos e sinceros? É alguma maravilha, que muitas pessoas são enganadas dessa maneira? Especialmente visto que as pessoas têm os demônios para promover esta ilusão. Eles têm promovido isto agora e por muito séculos, e ah!, eles são muito bons nisto. 

As verdadeiras experiências espirituais têm uma origem diferente.

Agora chegamos à pergunta: se todas estas várias experiências e sentimentos vêm de nada mais do que os demônios são capazes de possuir, quais são os tipos de experiências que são verdadeiramente espirituais e santas? O que tenho que encontrar em meu coração, como um sinal seguro da graça de Deus ali? Quais são as diferenças que mostram-nas serem do Espírito Santo? 
Esta é a resposta: aqueles sentimentos e experiências que são bons sinais da graça de Deus no coração diferem das experiências dos demônios em sua origem e em seus resultados. Sua origem é a percepção da devastadoramente santa beleza e amabilidade das coisas de Deus. Quando uma pessoa entende em sua mente, ou melhor ainda, quando ela sente seu próprio coração cativado pela atratividade do Divino, isto é um sinal inequívoco da obra de Deus. 
Os demônios e condenados no inferno não experimentam agora, e nunca experimentarão nem um pouco disto. Antes da queda deles, os demônios tinham esta percepção de Deus. Mas em sua queda, eles a perderam, e a única coisa que eles poderiam perder do seu conhecimento de Deus. Temos visto como os demônios possuem claras idéias sobre como Deus é poderoso, sobre Sua justiça, santidade, e assim por diante. Eles conhecem muitos dos fatos sobre Deus. Mas agora eles não têm um indício sobre como Deus é. Eles não podem saber o que Deus é mais do que um cego pode saber sobre cores! Os demônios têm uma forte percepção da terrível majestade de Deus, mas eles não vêem Sua amabilidade. Eles têm observado Sua 
obra entre a raça humana por estes milhares de anos, deveras com toda a atenção; mas eles não podem ver um vislumbre de Sua beleza. Não importa quanto eles saibam sobre Deus (e temos visto que eles sabem realmente muito), o conhecimento que eles possuem nunca lhes trará a este alto e espiritual conhecimento de como Deus é. Pelo contrário, quanto mais eles sabem sobre Deus, mais eles O odeiam. A beleza de Deus consiste primariamente nesta santidade, ou excelência moral, e isto é o que eles mais odeiam. É porque Deus é santo que os demônios Lhe odeiam. Alguém pode supor que se Deus fosse menos santo, os demônios 
lhe odiariam menos. Sem dúvidas os demônios devem odiar qualquer Ser santo, não importa quem Ele seja. Mas, certamente, eles odeiam este Ser ainda mais, por ser infinitamente santo, infinitamente sábio, e infinitamente poderoso! 
Pessoas ímpias, incluindo aquelas ainda vivas, verão no dia do julgamento tudo o que há para ver de Jesus Cristo, exceto Sua beleza e amabilidade. Não há nenhuma coisa sobre Cristo que pudermos pensar, que não será posta diante deles em poderosa luz naquele brilhante dia. Os ímpios verão Jesus "vindo nas nuvens, com grande poder e glória". (Mateus 13:26) Eles verão Sua glória visível, que é muito, muito maior do que podemos imaginar agora. Os ímpios serão totalmente convencidos de tudo o que Cristo é. Eles serão convencidos sobre Sua onisciência, a medida que eles virem seus pecados repassados e julgados. Eles verão em primeira mão a justiça de Cristo, a medida que suas sentenças forem anunciadas. Sua autoridade será feita absolutamente convincente quando cada joelho se dobrar, e cada língua confessar a Jesus como Senhor. (Filipenses 2:10,11) A divina majestade será impressa sobre eles em um modo totalmente efetivo, a medida que os ímpios forem lançados no inferno, e entrarem no seu estado final de sofrimento e morte. (Apocalipse 20:14,15) Quanto isto acontecer, todo seu conhecimento de Deus, tão verdadeiro e poderoso como possa ser, não valerá nada, e menos do que nada, porque eles não verão a beleza de Cristo. 
Portanto, é esta visão da amabilidade de Cristo que faz a diferença entre a graça salvadora do Espírito Santo, e as experiências dos demônios. Esta visão ou percepção é que faz a verdadeira experiência Cristã diferente de qualquer outra. A fé do povo eleito de Deus é baseada nisto. Quando uma pessoa vê a excelência do evangelho, percebe a beleza e amabilidade do plano divino da salvação. Sua mente é convencida de que isto é de Deus, e crê nisto com todo seu coração. Como o apóstolo Paulo diz em 2 Coríntios 4:3,4: "Mas, se 
ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus." Isto é dizer, como foi explicado antes, que os incrédulos podem ver que há um evangelho, e entender os fatos sobre ele, mas eles não vêem sua luz. A luz do evangelho é a glória de Cristo, Sua santidade e beleza. Justamente após isto nós lemos: 2 Coríntios 4:6 "Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo." Claramente, é esta divina luz, brilhando em nossos corações, que nos capacita a ver a beleza do evangelho e a ter uma fé salvadora em Cristo. Esta luz sobrenatural nos mostra a superlativa beleza e amabilidade de Jesus, e nos convence de Sua suficiência como nosso Salvador. Somente um Salvador glorioso e majestoso pode ser nosso Mediador, permanecendo entre o culpado, pecadores merecedores do inferno como nós mesmos, e um Deus infinitamente santo. Esta luz sobrenatural nos dá uma percepção de Cristo que nos convence de uma maneira que nada mais poderia fazer. 

Uma verdadeira experiência espiritual transforma o coração.

Quando o pior dos pecadores é levado a ver a divina amabilidade de Cristo, ele não mais especula porque Deus deve estar interessado nele, para salvá-lo. Antes, ele não poderia entender como o sangue de Cristo poderia pagar a penalidade pelos pecados. Mas agora, ele pode ver a preciosidade do sangue de Cristo, e como Ele é digno de ser aceito como um resgate para o pior dos pecados. Agora, a alma pode reconhecer que ele é aceito por Deus, não por causa do que ele é, mas por causa do valor que Deus põe no sangue, na obediência, e na intercessão de Cristo. Ver este valor e dignidade dá à pobre alma culpada, um descanso que não pode ser encontrado em qualquer sermão ou livreto. Quando uma pessoa chega a ver o fundamento apropriado da fé e da confiança com seus próprios olhos, esta fé é salvadora. "Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna." (João 6:40) "Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu mos deste, e guardaram a tua palavra. Agora já têm conhecido que tudo quanto me deste provém de ti. Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste". (João 17:6-8) 
É esta visão da divina beleza de Cristo que cativa as vontades e atraí os corações dos homens. Uma visão da grandeza visível de Deus em Sua glória pode esmagar os homens, acima daquilo que poderão suportar. Isto será visto no dia do julgamento, quando os ímpios serão trazidos diante de Deus. Eles serão esmagados, sim, mas a hostilidade do coração permanecerá integralmente e a oposição da vontade continuará. Mas por outro lado, um simples raio da glória moral e espiritual de Deus e da suprema amabilidade de Cristo brilhando no coração, sujeita toda hostilidade. A alma é inclinada a amar a Deus como se por um poder onipotente, 
de modo que agora não somente o entendimento, mas todo o ser recebe e abraça o amável Salvador. 
Esta percepção da beleza de Cristo é o principio da verdadeira fé salvadora na vida de um verdadeiro converso. Esta é totalmente diferente de qualquer sentimento vago que Cristo lhe ama ou morreu por ele. Este tipo de sentimentos confusos podem causar um tipo de amor e alegria, porque a pessoa sente uma gratidão por ter escapado da punição de seu pecado. Na realidade, estes sentimentos são baseados no amor próprio, e de nenhuma maneira em um amor por Cristo. É uma coisa triste que tantas pessoas são iludidas por esta falsa fé. Por outro lado, um vislumbre da glória de Deus na face de Jesus Cristo causa no coração um supremo e genuíno amor por Deus. Isto é porque a luz divina mostra a excelente natureza da amabilidade de Deus. Um amor baseado nisto está muito, muito acima de qualquer coisa que como saber se você é um Verdadeiro Cristão venha de um amor próprio, o qual os demônios podem possuir tão bem como os homens. O verdadeiro amor por Deus que vêm desta visão de Sua beleza causa uma alegria santa e espiritual na alma; uma alegria em Deus, e um regozijo nEle. Não há regozijo em nós 
mesmos, pelo contrário há regozijo somente em Deus. As experiências genuínas espirituais têm resultados diferentes. A visão da beleza das coisas divina causará verdadeiros desejos pelas coisas de Deus. Estes desejos são diferentes das aspirações dos demônios, as quais acontecem porque os demônios sabem da maldição que lhes esperam, e desejam que isto possa ser de alguma forma diferente. Os desejos que vêm desta visão da beleza de Cristo são desejos naturais livres, como um bebê desejando leite. Porque estes desejos são tão diferentes das suas falsificações, eles ajudam à distinguir a genuína experiência da graça de Deus da falsa. As falsas experiências espirituais têm a tendência de causar orgulho, que é um pecado 
especial do diabo. "Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo".(1 Timóteo 3:6) O orgulho é um resultado inevitável das experiências espirituais falsas, embora elas sejam freqüentemente cobertas com um disfarce de grande humildade. A experiência falsa é enamorada com si própria e cresce assim. Ela vive da própria exibição de um jeito ou outro. Uma pessoa pode ter um grande amor por Deus, e ser orgulhosa da grandeza de seu amor. Ele pode ser muito humilde, e deveras orgulhoso de sua humildade. Mas, as emoções e experiência que vêm da graça de Deus são exatamente opostas. A verdadeira obra de Deus no coração causa humildade. Elas não podem causar qualquer tipo de exibicionismo ou auto-exaltação. A percepção da terrível, santa, e gloriosa beleza de Cristo mata o orgulho e humilha a alma. A luz da amabilidade de Deus, e esta somente, mostra à alma sua própria vileza. Quando uma pessoa entende isto, inevitavelmente começa um processo de fazer Deus maior e maior, e ele mesmo menor e menor. Outro resultado da graça de Deus operante no coração é que a pessoa odiará cada mal e reagirá a Deus com um coração e uma vida santa. As experiências falsas podem causar uma certa quantia de zelo, e até muito do que é comumente chamado religião. Contudo, não é um zelo pelas boas obras. Sua religião não é um serviço de Deus, mas antes um serviço próprio. Isto é como o apóstolo Tiago o coloca neste mesmo contexto, "Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem. Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?" (Tiago 2:19,20) Em outras palavras, os feitos, ou boas obras, são evidências de uma genuína experiência da graça de Deus no coração. "E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade". (1 João 2:3,4) Quando o coração tem sido encantado pela beleza de Cristo, como poderia responder de outra forma? 
A visão da beleza de Cristo - o maior dom de Deus! 

Quão excelente é esta bondade interna e a verdadeira religião que vêm desta visão da beleza de Cristo! Aqui você tem as mais maravilhosas experiências dos santos e anjos no céu. Aqui 
você tem a melhor experiência do próprio Jesus Cristo. Embora sejamos meras criaturas, isto é um tipo de participação na própria beleza de Deus. "Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina." (2 Pedro 1:4). "Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este [Deus], para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade." (Hebreus 12:10) Por causa do poder desta obra divina, há uma habitação mútua de Deus em Seu povo. "Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele". 
Este relacionamento especial faz com que a pessoa envolta seja tanto feliz como abençoada, como nenhuma criatura existente. Este é um dom especial de Deus, que Ele dá somente para Seus favoritos. Ouro, prata, diamantes, e reinos terrestres são dados por Deus para pessoas que a Bíblia chama de cães e porcos. Mas o grande dom de contemplar a beleza de Cristo, é uma benção especial de Deus para Seus queridos filhos. Carne e sangue não podem dar este dom: somente Deus pode concedê-lo. Este foi o dom especial pelo qual Cristo morreu para obter para Seus eleitos. Este é o sinal mais alto de seu eterno amor, o melhor fruto de Seus labores, e a mais preciosa aquisição de Seu sangue. Por este dom, mais do que qualquer outro, os santos brilham como luzes no mundo. Este dom, mais do que qualquer outro, é seu o conforto. É impossível que a alma que possua este dom possa perecer. Este é o dom da vida eterna. Este é o início da vida eterna: aquele que o tem, não pode jamais morrer. Este é o amanhecer da luz da glória. Ele vem do céu, tem uma 
qualidade celestial, e guiará seu portador ao céu. Aqueles que possuem este dom, podem vagar no deserto ou serem lançados pelas ondas do mar, mas finalmente chegarão ao céu. Lá a faísca celestial se tornará perfeita e elevada. No céu, as almas dos santos serão transformadas em uma brilhante e pura labareda de fogo, e eles brilharão eternamente como o sol no reino de seu Pai. Amém. 



Originalmente intitulado 
A Verdadeira Graça Distinguida da Experiência dos Demônios por
Jonathan Edwards, 1752. Esta versão moderna da linguagem é Copyright 1994 por William Carson.
A permissão é concedida para a reprodução, contanto que este arquivo não seja alterado, e esta observação incluída em toda reprodução, e não vendida ou comercializada.
Traduzido por: Felipe Sabino de Araujo Neto.
Cuiabá-MT, Fevereiro de 2003.

sábado, 24 de março de 2012

David Brainerd (1718-1747)




Muito Breve foi a vida de Davi Brainerd (20/04/1718 – 05/10/1747). Foi levado à glória celestial com apenas 29 anos, quando ainda era noivo de Jerusa Edwards (filha do homem de Deus, Jônatas Edwards, autor do sermão "Pecadores nas Mãos de um Deus Irado" e que foi muito usado por Deus no grande reavivamento espiritual norte-americano do Século XVIII).
Converteu-se aos 20 anos e logo consagrou-se completamente ao SENHOR. Tinha verdadeira obsessão de servir a Deus e implorava para que o Senhor Jesus Cristo usasse a sua vida completamente para a honra e glória do SENHOR.
Dedicava grande parte de seu dia à oração e freqüentemente jejuava buscando mais intensamente a presença de Deus e poder para servi-lO. Como tinha o costume de anotar os fatos e pensamentos mais importantes do dia em seu diário, muitas coisas de sua vida, orações e lutas foram conhecidas, após a sua morte, através de seu diário. Jônatas Edwards, pai de sua noiva, foi usado por Deus para escrever sua biografia.
Depois de completar seus estudos teológicos, Davi Brainerd sentiu-se chamado por Deus para pregar entre os índios pele-vermelhas. Assim ele anotou em seu diário: "Preguei o sermão de despedida ontem à noite, Hoje, pela manhã, orei em quase todos os lugares por onde andei, e depois me despedi dos meus amigos e iniciei a viagem para o habitat dos índios".
Davi Brainerd conseguiu entrar nas aldeias dos índios e começou um grande trabalho evangelístico. Relata em seu diário: "Continuo a sentir-me angustiado. À tarde preguei ao povo, mas fiquei desanimado acerca do trabalho... receio que seja impossível alcançar estas almas. Retirei-me e derramei minha alma pedindo misericórdia, mas sem sentir alívio. Completo 25 anos de idade hoje. Dói-me a alma ao pensar que vivi tão pouco para glória de Deus..."
Certo dia Brainerd percebeu que toda a aldeia se preparava para uma festa de danças e orgias para os seus deuses. Ele, então, passou todo aquele dia e toda a noite em oração e jejum. Na manhã seguinte, cheio de convicção, confrontou os índios para que não realizassem o ritual. Os índios foram tocados por Deus e, não somente abandonaram os preparativos, como ouviram durante todo o dia a pregação do missionário. Está registrado em seu diário: "Preguei à multidão sobre Isaías 53:10, ‘Todavia, o Senhor agradou moê-lo...’ Muitos, dentre uma multidão de 3 a 4 mil, ficaram comovidos a ponto de haver grande pranto..."
Com muitas dificuldades e passando por várias provações e privações, Davi Brainerd pregou a dezenas de tribos americanas, apesar de seu corpo franzino e de sua pouca saúde.
Perdeu-se muitas vezes nas florestas, onde passou todos os tipos de dificuldades, em pântanos, chuvas e temporais, intenso calor do verão e o terrível frio do inverno. Passou fome, dormiu ao relento e debilitou ainda mais seu corpo.
Sentiu que tinha uma decisão a fazer. Devido à sua saúde abalada e à tuberculose, Davi Brainerd sabia que tinha apenas mais um ou dois anos de vida. Restava-lhe casar com a noiva e aceitar um convite de uma igreja para ser pastor, ou voltar aos índios e gastar seus últimos anos como missionário. Assim confidenciou em seu diário este tempo de luta em oração: "Eis-me aqui, Senhor, envia-me a mim até os confins da terra; envia-me aos selvagens do ermo; envia-me para longe de tudo que se chama conforto da terra; envia-me mesmo para a morte, se for no teu serviço e para promover o teu reino..."
Assim Brainerd voltou aos índios, e continuou sua missão. Anos depois, retornou à casa de Jônatas Edwards, onde faleceu. Sua noiva, que tanto o amava, depois de sua morte começou a murchar como uma flor, vindo a morrer quatro meses depois.
Viveu apenas 29 anos, mas seu trabalho missionário é superior ao serviço e obras das pessoas que vivem 80 anos.
Sua biografia, escrita por Jônatas Edwards, tem influenciado muitos homens de Deus em suas decisões de consagração e de vocação missionária. Não há outra vida que Deus tenha usado tanto para despertamento espiritual como a dele. O próprio Jônatas Edwards recebeu grande influência, também João Wesley, A. J. Gordon, Willian Carey (que leu sua biografia e consagrou sua vida para ir à Índia), Roberto McCheyne (lendo seu diário, dedicou sua vida para evangelizar os judeus), Henrique Martyn (que, depois de ler sua biografia, entregou-se ao Senhor para servir intensamente como missionário na Índia e na Pérsia, por um pouco mais de seis anos, morrendo com 31 anos). Vidas preciosas, como diz Hebreus 11:38, "homens dos quais o mundo não era digno"!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Quem foi Dietrich Bonhoeffer




Para Bonhoeffer, a base do comportamento ético reside na forma como a realidade do mundo e da realidade de Deus fomos reconciliados na realidade de Cristo. Tanto no seu pensamento e em sua vida, ética foram centradas sobre a demanda de ação por homens e mulheres responsáveis ​​em face do mal. Ele foi fortemente crítico da teoria ética e de preocupações acadêmicas com sistemas éticos precisamente por causa de sua incapacidade de enfrentar o mal diretamente. Mal, segundo ele, era de concreto e específico, e que poderia ser combatido apenas pelas ações específicas de pessoas responsáveis ​​no mundo. A posição intransigente Bonhoeffer tomou em sua Ética trabalho seminal, se refletiu diretamente em sua postura contra o nazismo. Sua oposição inicial se transformou em conspiração ativa em 1940 para derrubar o regime. Foi durante este tempo, até sua prisão em 1943, que trabalhou a Ética.




1. Vida e resistência


Dietrich Bonhoeffer nasceu em Breslau em 4 de fevereiro de 1906. Dietrich e sua irmã gêmea, Sabina, foram dois dos oito filhos de Karl e Paula (von Hase) Bonhoeffer. Karl Bonhoeffer, professor de psiquiatria e neurologia na Universidade de Berlim, foi psicólogo principal da Alemanha empírica. Dietrich recebeu seu doutorado da Universidade de Berlim em 1927, e lecionou na Faculdade de Teologia durante os trinta anos. Foi ordenado pastor luterano em 1931, e serviu duas congregações luteranas, São Paulo e Sydenham, em Londres, 1933-35.
Em 1934, 2.000 pastores luteranos organizado Liga dos Pastores de emergência em oposição à igreja controlada pelo estado pelos nazistas. Essa organização evoluiu para a Igreja Confessante, uma igreja protestante livre e independente. Bonhoeffer trabalhou como chefe do seminário da Igreja Confessante está em Finkenwalde. As atividades da Igreja Confessante foram praticamente proibidas e os seus cinco seminários fechados pelos nazistas em 1937.
Oposição ativa de Bonhoeffer para o Nacional Socialismo dos anos trinta continuou a escalar até seu recrutamento para a resistência em 1940. O núcleo da conspiração para assassinar Adolph Hitler e derrubar o Terceiro Reich foi um grupo de elite dentro da Abwehr (Inteligência Militar alemão), que incluía, o almirante Wilhelm Canaris, chefe da inteligência militar, general Hans Oster (que recrutou Bonhoeffer), e Hans Von Dohnanyi, que era casado com a irmã de Bonhoeffer, Christine. Todos os três foram executados com Bonhoeffer em 09 de abril de 1945. Pelo seu papel na conspiração, os nazistas também executou irmão de Bonhoeffer, Klaus, e um segundo cunhado, Rudiger Schleicher, em 23 de abril de 1945, sete dias antes de Hitler se suicidar em 30 de abril.


O papel de Bonhoeffer na conspiração foi de courier e diplomata do governo britânico, em nome da resistência, já que o apoio dos Aliados era essencial para interromper a guerra. Entre viagens ao exterior para a resistência, Bonhoeffer ficou em Ettal, um mosteiro beneditino de Munique, onde ele trabalhou em seu livro, Ética, de 1940 até sua prisão em 1943. Bonhoeffer, com efeito, estava formulando a base ética para quando o desempenho de certas ações extremas, tais como assassinato político, eram necessários para uma pessoa moralmente responsável, enquanto ao mesmo tempo, tentar derrubar o Terceiro Reich, em que todos esperavam ser um sangrento golpe de Estado. Esta combinação de ação e pensamento certamente se qualifica como um dos momentos mais originais da história intelectual.


2. Ética


A crítica de Bonhoeffer por resultados de ética em uma imagem da ética aristotélica de que é na expressão cristológica, ou seja, partes muito comum com uma moralidade personagem-oriented, e ao mesmo tempo, ela repousa firmemente sobre sua cristologia. Para Bonhoeffer, a base do comportamento ético é a forma como a realidade do mundo e como a realidade de Deus são conciliados na realidade de Cristo (Ética, p. 198). Para compartilhar a realidade de Cristo é tornar-se uma pessoa responsável, uma pessoa que executa ações de acordo com a realidade e cumpriu a vontade de Deus (Ética, p.224). Há dois guias para determinar a vontade de Deus em qualquer situação concreta: 1) a necessidade do próximo, e 2) o modelo de Jesus de Nazaré. Não existem outros guias, uma vez que Bonhoeffer nega que possamos ter conhecimento do bem e do mal (Ética, p.231). Não há certeza moral neste mundo. Não há justificativa com antecedência para nossa conduta. Em última análise, todas as ações devem ser entregues a Deus para o julgamento, e ninguém pode escapar da confiança na misericórdia de Deus e da graça. "Diante de Deus auto-justificação é simplesmente pecado" (Ética, p.167).
Ação responsável, em outras palavras, é um empreendimento altamente arriscado. Ele não faz nenhuma reivindicação à objetividade ou certeza. É um empreendimento livre que não pode ser justificada com antecedência (Ética, p.249). Mas, no entanto, é como participar da realidade de Cristo, ou seja, é como agimos de acordo com a vontade de Deus. A demanda por ação responsável na história é uma demanda que nenhum cristão pode ignorar. Estamos, portanto, confrontados com o seguinte dilema: quando agredido pelo mal, devemos nos opor diretamente. Não temos outra opção. A omissão é simplesmente tolerar o mal. Mas também é claro que não temos nenhuma justificativa para preferir uma resposta ao mal sobre o outro. Nós aparentemente podíamos não fazer nada com a justificação. No entanto, para Bonhoeffer, a realidade de uma demanda para a ação sem qualquer justificação (a priori) é apenas a realidade moral que devemos enfrentar, se nós queremos ser pessoas responsáveis.
Há quatro facetas à crítica de Bonhoeffer a ética que deve ser observada de imediato. 
Em primeiro lugar, as decisões éticas constituem uma parte muito menor do mundo social para Bonhoeffer do que fazem para (digamos) Kant ou moinho. Principalmente ele está interessado apenas nas decisões que lidam diretamente com a presença de comportamento violento, e muitas vezes envolvem questões de vida ou morte. 
Segundo, a vida de Bonhoeffer serve como um estudo de caso para a viabilidade de suas idéias. Bonhoeffer é único a este respeito. Seu trabalho sobre ética começou enquanto ele estava ativamente envolvido na resistência alemã ao Nacional-Socialismo e terminou com sua prisão em 1943. Ele esperava que os outros veriam o seu trabalho na conspiração como intrinsecamente relacionadas com a plausibilidade do seu ponto de vista ético. Quando se trata de ética, Bonhoeffer observou: "(i) t não é apenas o que é dito que importa, mas também o homem que diz que" (Ética, p.267).
Terceiro, como Aristóteles, Bonhoeffer permanece tão perto o fenômeno real de fazer escolhas morais quanto possível. O que nós experimentamos, quando confrontados com uma escolha moral, é uma situação altamente concreta e única. Ele pode compartilhar muito com outras situações, mas é, no entanto, uma situação distinta, envolvendo suas particularidades e peculiaridades, não excluindo o fato de que estamos tomando as decisões, e não Sócrates ou Joana D'Arc.
E, finalmente, mais uma vez como Aristóteles, Bonhoeffer vê julgamentos de carácter e não a ação como fundamental para a avaliação moral. Más ações devem ser evitadas, é claro, mas que precisa ser evitado a todo custo é a disposição de fazer o mal como parte do nosso caráter. "O que é pior do que fazer o mal", observa Bonhoeffer, "está sendo mal" (Ética, p.67). Mentir é errado, mas o que é pior do que a mentira é o mentiroso, o mentiroso de contamina tudo o que ele diz, porque tudo que ele diz serve para causar uma falsidade. O mentiroso como endossou um mundo de mentira e engano, e se concentrar apenas sobre a verdade ou falsidade de suas declarações em particular é perder o perigo de serem apanhados em seu mundo torcido. É por isso que, como Bonhoeffer diz, que "(i) t é pior para um mentiroso  dizer a verdade do que para um amante da verdade a mentir" (Ética, p.67). A apostasia da justiça é muito pior que um fracasso da justiça. Para se concentrar exclusivamente na mentira e não sobre o mentiroso é um fracasso para enfrentar o mal.
No entanto, a preocupação central da ética tradicional permanece: Qual é a conduta correta? O que justifica fazer uma coisa em detrimento de outro? Para Bonhoeffer, não há justificativa das ações com antecedência, sem critérios de bem e mal, e isso não está disponível (Ética, p.231). Nem conseqüências futuras, nem os motivos do passado por si só são suficientes para determinar o valor moral das ações. 
Conseqüências- ter como consequência desagradável de continuar indefinidamente no futuro. Se deixado sem vigilância, esta característica iria tornar todos os julgamentos morais temporário ou probatório, uma vez que ninguém está imune à revisão radical no futuro. O que torna uma conseqüência relevante para fazer uma ação correta é algo diferente do que o fato de que é uma conseqüência. O mesmo é verdadeiro por motivos passado. Um motivo ou atitude mental, certamente está por trás de outro. O que torna um estado mental e não um estado anterior do fenômeno ético final é algo que não seja o fato de que é um estado mental. Uma vez que nem motivos, nem consequências têm um ponto de parada fixa, ambos estão condenados ao fracasso como critério moral. "Em ambos os lados", observa Bonhoeffer, "não há fronteiras fixas e nada nos justifica em chamar uma parada em algum ponto que nós mesmos arbitrariamente determinado para que possamos a última forma um juízo definitivo" (Ética, p.190) . Sem uma razão para a relevância dos motivos específicos ou consequências, todos os julgamentos morais se tornam irremediavelmente tentativa e eternamente incompleta.
O que é mais, os princípios gerais têm uma tendência para reduzir todos os comportamentos de comportamento ético. Agir apenas para a maior felicidade do maior número, ou agir apenas de modo que a máxima de uma ação pode tornar-se um princípio de legislação, tornar-se tão relevante para cortes de cabelo como eles fazem para homicídio culposo. Todo o comportamento torna-se o comportamento moral, que drena toda a espontaneidade ea alegria da vida, uma vez que o menor passo em falso agora liga o seu comportamento com os piores crimes do seu sexo, raça ou cultura. A ética não pode ser reduzida a uma busca de princípios gerais, sem reduzir todos os problemas da vida a uma uniformidade sombrio, pedante, e monótono. A "plenitude da vida abundante," é negada e com ela "a própria essência da ética em si" (Ética, p.263).
Confiança na teoria, em outras palavras, é destrutivo para a ética, porque interfere com a nossa capacidade de lidar eficazmente com o mal. Bonhoeffer nos pede para considerar seis estratégias, seis pessoas, muitas vezes posturas greve ou adotar ao tentar lidar com situações reais éticos que envolvem pessoas más e cruéis. Qualquer destas posturas ou orientações poderia empregar os princípios, leis ou deveres da teoria ética. Mas, no final, faz pouca diferença o que eles invocam princípios. As posturas éticas em si são o que tornam impossível uma ação responsável. Um resort com os ditames da razão, por exemplo, exige que ser justo com todos os detalhes, fatos e pessoas envolvidas em qualquer situação concreta moral (Ética, p.67). A pessoa razoável age como um tribunal de justiça, tentando ser justo para ambos os lados de qualquer disputa. Ao fazer isso, ele ou ela ignora todas as questões de caráter, uma vez que todas as pessoas são iguais perante a lei, e não faz diferença quem faz o quê a quem. Assim, sempre que for do interesse de uma pessoa má para dizer a verdade, a pessoa de razão deve recompensá-lo por isso. A pessoa da razão é impotente para fazer o contrário, e no final é rejeitada por todos, o bem eo mal, e alcança nada.
Da mesma forma, argumenta Bonhoeffer, o entusiasmo do fanático moral ou dogmático também é ineficaz por um motivo similar. O fanático acredita que ele ou ela pode se opor ao poder do mal por uma pureza de vontade e uma devoção aos princípios que proíbem certas ações. Novamente, a preocupação é exclusivamente em ação, e os julgamentos de caráter são vistos como secundários e derivados. Mas a riqueza e a variedade de reais, situações concretas gera questões sobre as perguntas para a aplicação de qualquer princípio. Mais cedo ou mais tarde notas, Bonhoeffer, o fanático se envolve em não-essenciais e pequenos detalhes, e torna-se propenso a simples manipulação nas mãos do mal (Ética, p.68).
O homem ou a mulher de consciência apresenta um caso ainda mais estranho. Quando confrontados com uma situação inescapável ética que exige ação, a pessoa de consciência experiências grande tumulto e incerteza. O que a pessoa de consciência é realmente buscando é a paz de espírito, ou um retorno à forma como as coisas eram, antes de tudo explodiu no caos moral. Resolver as tensões é tão importante quanto fazer a coisa certa. De fato, fazendo a coisa certa deve resolver os conflitos e tensões, ou não é a coisa certa. Consequentemente, as pessoas de consciência tornam-se presa de soluções rápidas, para ações de conveniência, e ao engano, porque se sentir bem sobre si mesmos e seu mundo é o que importa em última instância. Eles falham completamente para ver, como observa Bonhoeffer, que uma má consciência, que decepção e frustração sobre a própria ação, pode ser um estado muito mais saudável e mais forte para suas almas a experiência do que a paz de espírito e sentimentos de bem-estar (Ética, p. 68).
Uma ênfase na liberdade e virtuosismo privadas são ainda menos capazes de lidar eficazmente com o mal. O que Bonhoeffer entende por liberdade não é coextensiva com a liberdade teórica do existencial ou / ou, onde não faz diferença o que fazemos, já que estamos todos indo para obtê-lo no final de qualquer maneira, nem é a liberdade de pessoal do positivista preferência ou emotivismo. Não, a liberdade, aqui, significa a liberdade de fazer exceções a regras gerais ou princípios. A pessoa livre é a pessoa que tem a onde-com-tudo para ignorar a reputação consciência, fatos e qualquer outra coisa, a fim de fazer o melhor arranjo possível nas circunstâncias. Esta é a liberdade para agir de forma alguma necessário, até mesmo para fazer o que está errado, a fim de evitar o que é pior, por exemplo, evitar a guerra por ser injusto para um grande número de pessoas e, conseqüentemente, deixando de ver que o que ele acha que é pior , ainda pode ser a melhor, deixando de ver que o mal nunca pode ser saciado (Ética, p. 69).
Por outro lado, a fuga para um domínio da virtude privada é, talvez, de todas as tentações a mais perigosa para o cristão. Isso é um retrocesso nos assuntos mesquinhos e vulgar do mundo, a fim de evitar ser contaminado pelo mal. Este impulso monástica é rejeitado por Bonhoeffer, porque para ele não existe tal coisa como escapar da sua responsabilidade de agir. Quando confrontados com o mal, não há caminho do meio. Você quer opor-se à perseguição dos inocentes ou você participar dele. Ninguém pode preservar a sua virtude privada girando longe do mundo (Ética, p.69).
Última categoria de Bonhoeffer, o dever, é talvez o mais importante para ele, porque é a mais facilmente cooptados pelo mal, e novamente não faz diferença quais leis apresentamos para determinar nosso dever.Se uma devoção ao dever não discrimina em termos de caráter, ele vai acabar servindo mal. "O homem do dever", Bonhoeffer observa, "vai acabar por ter de cumprir as suas obrigações até o diabo" (Ética,p.69).
Bonhoeffer substitui ética filosófica e sua busca de critérios para justificar a ação com antecedência com uma ética fundamentada na emergência de Cristo como reconciliador. A pedra angular do mundo ético de Bonhoeffer é um realismo social / moral. Em um determinado contexto, há sempre uma coisa certa a fazer. Esta realidade é um resultado direto de sua cristologia. A realidade do mundo sensível, com toda a sua variedade, multiplicidade e concretude, foi reconciliado com a realidade espiritual de Deus. Estes dois mundos radicalmente divorciada já foram feitos compatíveis e coerentes na realidade de Cristo (Ética, p.195). Por meio de Jesus a realidade de Deus entrou no mundo (Ética, p.192). Se uma ação é de ter significado, ele deve corresponder ao que é real. Uma vez que existe apenas a realidade de Cristo, Cristo é o fundamento da ética. Qualquer cristão que tenta evitar falsidades e falta de sentido em sua vida deve agir de acordo com esta realidade.
Além disso, o único guia para agir de acordo com esta realidade é o modelo de comportamento altruísta de Jesus no Novo Testamento. Há várias dimensões a este modelo. Em primeiro lugar, sua ação não pode de forma alguma, ser destinados para refletir sobre você, seu caráter ou sua reputação. Você deve, por causa do momento, sem reservas entregar todos os desejos de auto-dirigido e desejos (Ética, p.232). É o outro, uma outra pessoa, que é o foco de atenção, e não a si mesmo. Na ação ética, a mão esquerda realmente deve ter consciência de que a mão direita está fazendo, se a mão direita está a fazer nada de ética. Caso contrário, sua ação so-called boa torna-se contaminado e sua natureza moral alterada.
Bonhoeffer ilustra essa noção de ação abnegada, contrastando o comportamento de Jesus no Novo Testamento para a do fariseu. O fariseu, "... é o homem a quem só o conhecimento do bem e do mal passou a ser de importância em toda a sua vida ..." (Ética, p.30). Cada momento de sua vida é um momento em que ele deve escolher entre o bem eo mal (Ética, p.30). Cada ação, cada julgamento, não importa quão pequeno, é permeado com a escolha do bem e do mal. Ele pode enfrentar nenhuma pessoa sem avaliar que a pessoa em termos do bem e do mal (Ética, p.31). Para ele, todos os julgamentos são julgamentos morais. Nenhum gesto é imune à condenação moral.
Jesus se recusa a ver o mundo nestes termos. Ele levemente, quase arrogante, põe de lado muitas das distinções legais os trabalhos fariseu de manter. Ele lances seus discípulos para comer no sábado, mesmo que a fome é quase em questão. Ele cura uma mulher no sábado, embora após 18 anos de doença, ela poderia aparentemente esperar mais algumas horas. Jesus apresenta uma liberdade da lei em tudo que faz, mas nada sugere que ele faz todas as coisas são possíveis. Não há nada arbitrário sobre seu comportamento. Há, no entanto, uma simplicidade e clareza. Ao contrário do fariseu, ele não se preocupa com a bondade ou maldade daqueles que ele ajuda, despreocupados com o valor pessoal moral daqueles que ele atende, fala, janta com ou cura. Ele está preocupado única e exclusivamente com o bem-estar de outro. Ele não exibe nenhuma outra preocupação. Ele é o paradigma da ação abnegada, e exatamente o oposto do fariseu, cuja cada gesto é fundamentalmente auto-reflexiva.
O responsável é, assim, uma pessoa altruísta, que faz a vontade de Deus, servindo as necessidades espirituais e materiais de outro, uma vez que "... o que está mais próximo de Deus é precisamente a necessidade do próximo" (Ética, p.136). O modelo abnegado de Jesus é o seu único guia para a ação responsável. E segundo, a pessoa responsável não deve hesitar em agir por medo do pecado. Qualquer tentativa de evitar a culpa pessoal, qualquer tentativa de preservar a pureza moral, retirando de conflitos é moralmente irresponsável. Para Bonhoeffer, ninguém que vive neste mundo pode ficar desembaraçada e moralmente puro e livre de culpa (Ética, p.244). Não devemos recusar a agir em nome do nosso vizinho, até mesmo violenta, por medo do pecado. Para se recusam a aceitar a culpa e agüentar por causa de outro não tem nada a ver com Cristo ou o cristianismo. "(I) f Recuso-me a suportar a culpa por caridade", Bonhoeffer argumenta, "então minha ação está em contradição com a minha responsabilidade, que tem seu fundamento na realidade" (Ética, p.241). O risco de culpa gerado pela ação responsável é grande e não pode ser mitigado com antecedência pelo auto-justificar princípios. Não há certeza em um mundo atingido a maioridade. Ninguém, em outras palavras, pode escapar de uma dependência completa sobre a misericórdia e a graça de Deus.






traduzido do site:
http://www.iep.utm.edu/bonhoeff/



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...